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quarta-feira, 31 de maio de 2017

Restos de uma bela cidade

         Fotos antigas de uma das artérias principais da cidade, trazendo lembranças do tempo em que eventos importantes aconteciam na passarela de paralelepípedos, entre fileiras de casarões elegantes e calçadas bem cuidadas. Estudantes caminhando languidamente observados por inspetores escolares atentos a qualquer transgressão de conduta. Em festas populares e cívicas o logradouro transformava-se em um festival de cores, aroma de comida caseira e sons difusos. As coisas mudaram, os tambores silenciaram em diminuendo prenunciando a chegada dos abutres do abandono.

          Enquanto caminhávamos pelas ruas do Centro Histórico, abrimos a cápsula do tempo com as memórias e marcos do nosso cotidiano. Passamos por quadras de imóveis antigos, muitos em processo avançado de deterioração ou pilhas de escombros. Transformados em patrimônio oficial público por tombamento, propriedade privada permanecendo fora do alcance de ações restauradoras do poder do Estado. 


         Tombamento é um ato jurídico de proteção a um bem de natureza material com base no Decreto-Lei No 25, de 1937, legislação que não implica a perda de titularidade do proprietário, que continua responsável pela manutenção e de solicitar o crivo do relevante organismo, antes de reformar ou requalificar sua propriedade. Curiosamente a data de construção do imóvel não é levada em consideração como critério primordial. 

Dezenas de imóveis tombados do Centro Histórico foram diagnosticados em situação de risco, uma consequência não intencionada da inoperância das políticas de preservação e restauração de imóveis de valor histórico ou arquitetônico. Promover o Centro Histórico como parte do roteiro turístico ignora a precária situação física e os perigos de suas ruas. É preciso eliminar gargalos burocráticos, requalificar logradouros, facilitar investimentos e executar projetos financiados antes de propor legislação de questionável praticidade, viabilizando assim um novo paradigma. Restos de uma bela cidade é a única herança que temos no momento para contar nossa história...  


Palmarí H de Lucena, membro da União Brasileira de Escritores




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