NEM AQUI, NEM ALI, NEM ACOLÁ¨

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segunda-feira, 16 de outubro de 2017

A lei e dura, mas não cura

            Demagogia, indiferença e corrupção conspirando contra investimentos massivos em programas de prevenção e tratamento. População demandando uma dramática redução em todas as atividades antissociais e criminalidade associadas com o tráfico e uso de drogas ilegais. Perplexa diante do aumento do número de encarcerados, sem reduções significativas nas causas e efeitos do problema. Endurecemos as leis sem acrescentar recursos orçamentários para gastos penitenciários e a disponibilização de serviços complementares de tratamento e a reabilitação vocacional de apenados durante e pós-cumprimento de suas sentenças.

            Argumentos similares àqueles propostos por políticos e mídia norte-americana no século passado começam a ressonar na nossa sociedade e no Congresso. Pronunciamentos em audiência pública e na imprensa demandam maior rigidez na culminação legal de penas para crimes cometidos sob a influência de drogas, principalmente crack, e tratamento compulsório para a reabilitação do dependente. 

Crack tornou-se o bicho-papão da opinião pública, cansada de insegurança e rebaixamento da qualidade de vida. Veias abertas da miséria humana ofendendo nosso sentimento de progresso e bem-estar material. Precisamos nos tornar mais humanos e criativos para enfrentar a expansão e os efeitos do crack na nossa juventude. Podemos até argumentar que se a droga fosse usada pelas classes média ou alta não estaríamos dizendo que é impossível tratá-la como qualquer doença. 

            As complexidades do tratamento de dependência química ao crack são mais influenciadas pelo contexto e circunstância social do usuário do que pela reação bioquímica. Essa descoberta nos dá um raio de esperança para situações de desespero destruindo famílias e comunidades. Narrativas populistas demandando medidas draconianas sobre o problema aumentam o capital político dos proponentes, atraindo a atenção da mídia e das redes sociais sem contribuir positivamente para a sua solução.... 

Palmarí H de Lucena, membro da União Brasileira de Escritores

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Politização do porte de arma


Extremistas promovendo tendências racistas, nacionalismo xenofóbico e resistência armada, palavras de ordem de um segmento da população branca sentindo-se ameaçada pelo multiculturalismo, políticas de inclusão social e a remoção do espaço público da bandeira e símbolos da rebeldia dos estados escravagistas da Confederação Americana. Fortalecidos por sentimentos de persecução arbitrária e ira contra o Governo Federal, defendem o direito irrestrito ao porte de arma baseados em uma questionável interpretação da Segunda Emenda da Constituição dos Estados Unidos.

Distritos eleitorais criados pela arquitetura conservadora do Partido Republicano convertendo-se no solo sagrado do casamento profano da Ideologia Confederada com a Segunda Emenda. Vínculo baseado no renascimento da teoria da nulificação, a crença que os estados são os árbitros finais sobre o que é ou não é constitucional, dando assim aos Estados o direito de desobedecer qualquer lei federal.

O direito à nulificação foi repudiado pela Guerra Civil e a subsequente ratificação da Quarta Emenda, estipulando a garantia constitucional que a busca e apreensão, incluindo prisão, devem ser de alcance limitado, baseando-se em informações específicas transmitidas ao tribunal emissor por um agente da justiça.Uma teoria que deveria ter sido enterrada há mais de 150 anos, agora ressuscitada de sua tumba por extremistas do movimento do direito ao porte de armas, fortalecidos por triunfos eleitorais do Partido Republicano nos estados da antiga Confederação, o poder do lobby armamentista e a cumplicidade silenciosa do Presidente Trump.

Um movimento baseado em uma fracassada teoria constitucional enraizada em uma tentativa separatista contaminada pelo racismo, sedição e intepretação equivocada da Constituição Federal é uma tendência perigosa para a democracia. Segundo Mao Tse Tung: “o poder político nasce do cano do fuzil’. Parece ser o credo dos proponentes do direito dos Estados de permitir acesso irrestrito ao porte de arma...


Palmarí H. de Lucena, membro da União Brasileira de Escritores

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

No país do vai levando!

Passado o choque e estupefação causados pela implosão cívica de junho de 2013, um sismo de pouca intensidade seguido de tremores decrescentes geraram poucas mudanças na paisagem política. Transformadas no espelho e reflexo da revolta popular, as eleições de 2014 expuseram as limitações do sufrágio universal como um instrumento de mudanças profundas na representatividade do Congresso Nacional e na nomenclatura do poder publico, como um todo. Havíamos perdido a inocência, mas continuamos votando como inocentes... 

            Rápido declínio na popularidade da presidente e concomitante desencantamento com o desempenho e as políticas publicas por ela defendidas levam o povo de volta ás ruas desta vez demandando o impeachment da primeira mandatária. Provavelmente não seja prudente ou mesmo oportuno julgar a ausência de subsequentes manifestações massivas ou propagação viral como desengajamento do povo do momento político. A voz rouca das ruas silenciou, a ira popular se alastrando sutilmente pelo corpo enfermo.

As eleições de 2018 prometem ser diferentes, não devido aos resultadas de reformas ou uma explosão de virtuosidade democrática de candidatos ao mais alto cargo eletivo ou políticos aspirando os galhos mais baixos da árvore da democracia. Péssimas opções eleitorais auguram a repetição dos erros do passado, com um agravante: a incorporação de guerras culturais como o pano de fundo da mobilização política.


Teremos Lula, se elegível, contra qualquer anti-Lula, presidenciáveis enfraquecidas pela pulverização político-partidária causada pela Lava Jato e promiscuidade interpartidária ou opositores ao politicamente correto, prometendo o fim da vitimização da classe média. A ira popular podendo alavancar a seleção de um líder desagregador a lá Trump, incapaz de unir diversos setores da sociedade na busca de soluções duradouras para graves lacunas no bem-estar social e no progresso econômico da Nação.  Muito barulho por mais barulho!

Palmari H. de Lucena, membro da União Brasileira de Escritores